Comunicação

O setor da construção civil volta a contratar

A construção civil foi um dos setores que mais sentiu os efeitos da crise na economia. Mas está começando a dar sinais de recuperação.

Para Claudio, foi um alívio. Ele ficou mais de um ano parado, passou aperto. “Mandava currículo, ia nas obras, falava com conhecido, mas tava uma crise braba”, lembra ele, que começou a trabalhar, em maio, como almoxarife. Na mesma obra, o mestre de obras Manoel Bento da Silva lembra do início da construção. Não podia deixar o portão aberto que fazia fila de candidato.

A construção civil precisa de muita mão de obra. Toda vez que começam a levantar um prédio, a abrir uma estrada ou a construir uma ponte, muita gente começa a trabalhar. Mas o outro lado da moeda também é verdade. Quando esse setor entra em crise, o desemprego é grande.

A atual crise da construção civil vem de 2014. Mais de 100 mil postos de trabalho foram fechados. E a situação piorou nos três anos seguintes. Quase um milhão de empregos desapareceram.

Houve uma recuperação, em 2018, ainda muito pequena. As contratações aumentaram este ano. De janeiro a setembro, mais de 100 mil vagas foram reabertas.

Os primeiros sinais de melhora aparecem nos stands de vendas. As construtoras estão fechando mais contratos. “As pessoas estão percebendo que o mercado está melhorando e aliado a uma taxa Selic em baixa, no valor mais baixo da história. Ao invés de deixar o dinheiro no banco, ele tira o dinheiro da aplicação dele e coloca no imóvel, que é algo seguro, que é algo concreto”, destaca Rodrigo Mauro, sócio diretor da construtora.

Quem trabalha na obra volta a ter salário. E quando o pedreiro pode gastar, a empresa de marmita e o restaurante, por exemplo também faturam e contratam. “Esse setor não está isolado da economia. Ele depende de serviços, bens industriais, depende de uma série de outros insumos que são alocados para o setor de construção civil. Óbvio que, uma vez que esse setor cresça, vai impulsionar o emprego nos demais setores fornecedores’, diz Sergio Firpo, professor de economia do Insper.

A recuperação ainda é pequena, mas já fez o Raimundo respirar aliviado. Ele vai ser papai e já sonha com o futuro do filho. “Durmo feliz ao saber que não vai faltar nada pra ele. Coisa que eu não tive lá no passado, quero dar pra ele agora”, conta Raimundo dos Santos Filho, carpinteiro.

Fonte: G1/Jornal Nacional